Sem Roteiro: Escrita terceirizada


Nora Roberts é uma autora best-seller que já escreveu mais de 200 romances desde o início da sua carreira. James Patterson lançou ano passado a incrível marca de 14 livros, sendo 1 a cada vinte e sete dias. Mas qual será o segredo para conseguir escrever tanto em tão pouco tempo? 

Em 2012 James Patterson liderou a lista da da revista norte-americana Forbes que trazia a relação dos autores mais ricos do mundo. O autor embolsou nada mais nada menos que US$ 94 milhões de dólares. No mesmo tempo o segundo colocado, Stephen King, publicou "apenas" cinco e faturou US$ 39 milhões. Se você está se perguntando o motivo disso, a resposta é simples: Patterson tem uma equipe que escreve para ele enquanto King escreve sozinho.

James é um autor que não tem medo de dizer que recorre à escrita terceirizada. Suspeita-se que outros autores como Nora Roberts, Meg Cabot e Daniele Steel também façam uso desse método.

Normalmente, escrevo uma sinopse detalhada da ideia que tenho em mente, algo em torno de 50 ou 60 páginas, e a entrego a um coautor para desenvolver a história”, explicou o escritor norte-americano a GALILEU, em entrevista por e-mail. “A cada 15 dias, eu paro o que estou fazendo para ler o material. Às vezes, digo: ‘Puxa, que legal! Vamos em frente!’. Outras vezes, pondero: ‘Ei, espere, precisamos conversar’”, detalha. 

As ideias surgem do próprio James, que as cataloga para não serem esquecidas. “Pelos meus cálculos, devo ter umas 500 delas guardadas. Nem se eu quisesse teria tempo suficiente para colocar todas elas no papel”, argumenta o autor, que mesmo trabalhando coletivamente, conta com uma rotina de trabalho que alcança uma média de 14 horas por dia, sempre das cinco da manhã às sete da noite. 

Essa escrita terceirizada pode acabar tirando a essência do autor. Bruxos e Bruxas, lançado pela Novo Conceito, é um grande exemplo disso. Quem leu garante que o livro não tem a cara de James Patterson. O mesmo ocorre com Nora Roberts, que já lançou mais de 200 romances de gêneros bem distintos. 

Por outro lado, alguns autores gostam de colocar mesmo a mão na massa. Stephen King escreveu todos os livros, afirma Lisa Rogak, autora da recém-lançada biografia sobre um dos autores mais populares do nosso tempo. “Seu ‘segredo’ consiste em acordar todas as manhãs e escrever por algumas horas”, continua a biógrafa, “e acho que seu grande trunfo autoral tenha a ver com o fato de que ele foi, por muito tempo, percebido apenas como autor de gênero, até que, no início dos anos 2000, foi reconhecido como um escritor sério por leitores mais literatos e outros autores.

Texto adaptado.
Fonte: Revista Galileu.

17 comentários:

  1. ADORO os livros da Nora e realmente não acho que sozinha ela publicaria tudo o que já publicou, da Meg (que tb ADORO rs) tenho minhas dúvidas, ela tem muitos livros sim, mas não são tantos assim por ano, ultimamente tem sido uns 4 por ano, e dependendo do ritmo de escrita dela até é possível sim, mas vai saber, e se for é uma ótima equipe pq a maioria dos livros parecem que foram escritos pela mesma pessoa.

    Acho que essa é uma boa solução para que que os autores consigam que suas ideias sejam publicadas, é uma alternativa válida, mas fico pensando em quem realmente dá vida a história, quer dizer, o autor teve a ideia, mas e quem realmente fez a coisa ganhar forma e corpo no papel, essa pessoa não deveria ter reconhecimento, se bem que o salário deve ser bom, pelo menos espero, fora que o contrato tem que ser bem elaborado, pq já pensou o autor contrata alguém e depois a pessoa o processa para ficar com os direitos?!

    Enfim, é uma escolha do autor, no fim vai depender dele e da editora a qualidade final do produto a ser publicado, MAS adoraria saber quem são esses coautores rs

    bjo

    Pah -
    Lendo e Escrevendo

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  2. Oi querido!

    O tema é bem polêmico, não? Sinceramente, sou "contra". Não a escrita terceirizada em si, mas ao pouco crédito que os tais "coautores" recebem. Nora e James são nomes famosos, mas não sabemos quem foi que realmente desenvolveu aquilo. Ter a idéia é uma coisa, escrever é outra completamente diferente.

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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  3. Confesso que sabia muito pouco a respeito da escrita terceirizada. Tema polêmico mesmo... Acho um pouco desleal com quem é muito fã de determinado autor. Mesmo que a idéia seja dele, a forma de escrever, de desenvolver o assunto é diferente, né?!

    Beijos, Entre Aspas

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  4. Nossa, não sabia nada disso. Bom saber.

    Não gostei muito não...Usam o nome da pessoa como meio de ganhar leitores. Tudo bem que o autor dá a ideia, mas acharia muito melhor ter poucos livros e que eles fossem meus de verdade do que dar minha ideias e nem ao menos colocar o nome do outro(s) autor(es) na capa. Isso não tira o amor e o comprometimento deles à literatura, mas sem dúvida é algo extremamente duvidoso e que eu não apoiaria.

    http://livre-queda.blogspot.com.br

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  5. Ahan, sabia que tinha uma treta no meio rs
    impossível esses autores escreverem e lançarem tantos livros por ano. Só se eles não comem, não vivem, e nem respiram rs
    Agora, esse bruxos e bruxas chego a duvidar que titio James tenha dado a ideia. Porque aquilo ali não pode ter saído da cabeça do meu divo. Eu mal consegui passar do segundo capítulo. E pior que o tiro pode sair pela culatra, porque se o co-autor fizer uma m. , o nome que irá ser jogado na vala vai ser do autor famoso.
    Setphen meu filho, você ganhou minha admiração ainda mais *_*
    bjos
    www.mybooklit.com

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  6. Eu sou contra essa escrita, sei lá, se é escritor você tem que escrever sua própria obra! é o mesmo de um cantor usar playback em todos os seus shows, e como foi citado acima o escritor acaba perdendo sua essência, e engana o leitor, sem mais

    http://saga-preciosa-cristal.blogspot.com.br/

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  7. Não é certo, nem errado. Eu acredito que se o autor tiver uma ideia e dá-la para uma equipe para desenvolver, tudo bem, a ideia vem dele, os rumos vem dele, etc. Agora, seria muito bom se houvesse um reconhecimento dos co-autores em seus livros, também com destaque.

    Os livros do Patterson são finos - em torno de 200 páginas - e não há aquele desenvolvimento, narrativa detalhada e tudo mais. É mais como um roteiro, roteiro esse que talvez o autor não tenha tempo de colocar no papel, e para isso utiliza pessoas de confiança para o trab.

    Agora, o reconhecimento desses co-autores que é a verdadeira polêmica.

    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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  8. Eu duvido muito que ele parou para conversar com os co-autores de Bruxos e Bruxas por achar que ninguém em sã conciência colocaria seu nome em livros tão fracos depois de se tornar um bestseller.
    Quanto aos outros citados, jamais vão admitir que usam o recurso (se usarem) pra não manchar sua imagem.

    Beijos
    Fernanda - Leitora Incomum

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  9. Oi Lucas!

    Muito interessante a matéria. Nunca li nada do James, mas acho legal que ele admite que utiliza esse recurso. Eu não vejo problema quando as coisas são feitas as claras, a ideia vem dele e se os co-autores concordam tudo bem. Tem de tudo por aí, até mesmo os escritores fantasmas. Esses não aparecem e outro assume no lugar. São pagos e tudo mais para isso. Vi um filme bem interessante a respeito. São temas que causam polêmica, mas na verdade acho que depende do que cada um quer e se todos estão de acordo.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  10. Achava mesmo estranho que Roberts e Patterson publicassem tantos livros, agora tá explicado. Mas não sei se acho isso justo...

    Abraço!
    http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

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  11. Não gosto muito disso. Desde que os coautores sejam devidamente creditados, não considero antiético. Contudo, eu não recorreria a isso. Sinto que o prazer da escrita vai além de ter ideias para uma história: eu adoro desenvolver cenas, explorar os personagens. Quando tenho uma ideia para um livro, quero desenvolvê-lo inteiramente e passar por todas as etapas. Prefiro levar anos para escrever um livro do que publicar 20 livros por ano e não escrever as histórias.

    Abraços!
    http://contosdemisterioeterror.blogspot.com.br/

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  12. Esses escritores terceirizados são como os "ghost writer" certo?
    Eu não sou muito a favor deles não, afinal quando gostamos de determinado autor esperamos obras dele e a meu ver, isso é meio deslealdade tanto conosco, como com o escritor que realmente escreveu o livro.
    O post dá "muito pano para manga", adorei!
    Bjos!!!
    Andréia
    Sentimento nos Livros

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  13. Descobri os livros da Nora Roberts há pouco tempo depois da insistência de uma amiga para que eu os lesse. Fiquei viciada. Mas logo fui percebendo a grande diferença na maneira de levar a história de uma trilogia para a outra. Acabou que descobri numa foto que a própria Nora postou em sua pag no Facebook, que ela tem uma equipe de mulheres que desenvolve seus livros recentes.
    Posso entender o ponto de vista do autor, mas não gosto disso. Se me apaixonei por um determinado autor, quero ler o que vai na cabeça DELE, não de pessoas que seguem seu trabalho há bastante tempo. Mas este é o mundo capitalista...

    Adorei a matéria. Parabéns!
    Vânia Nunes
    http://aborboletaquele.blogspot.com.br

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  14. Oi,
    Ainda não li nada de Nora, mas não falta curiosidade. Falta é tempo! rs
    Bjs!!

    Viciados Pela Leitura

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  15. Eu estou simplesmente chocada.. sério! Não imaginava que isso existisse. Já tinha ouvido de Ghost writer, mas que possui um objetivo diferente, mas nunca de escrita terceirizada. Consigo ver pelos dois pontos de vista. Em relação ao autor, acho um artifício interessante, afinal, James está certo. Temos tantas histórias aprisionadas no nosso ser que seria impossível colocar todas no papel. E imagino que ele deva ser o criador da premissa e deva fazer toda uma sinopse ou argumento detalhado para dar para o coautor. Além disso, é uma ótima forma de ganhar dinheiro, certo? Agora, pela ótica do leitor, sinceramente, me sinto completamente enganada. Afinal, o que James de fato escreveu? Que texto de fato corresponde ao estilo dele de escrita, aos dias sem fim de bater de teclas do computador? Porque história por história, temos por aí aos montes e geralmente quando nos tornamos fãs de um autor, queremos ler tudo o que ele escreve.. mas e quando lemos algo que não foi ele quem escreveu? Aff.. sei não viu. Excelente post. Simplesmente comprou as suspeitas que já possuía. Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  16. Oi Lucas!

    Um tema que particularmente eu adorei! Eu já suspeitava que SK escrevia seus livros sozinho, pois realmente dá para sentir sua essência em suas histórias. Bem, quanto ao James, eu gostei de Bruxos e Bruxas, e como esse é o primeiro livro que leio dele, não posso dizer que conheço sua escrita, diferente de SK. Enfim, acho que um autor é muito mais querido se escrever ele próprio, e até a satisfação de ver que ele mesmo criou sem ajuda de terceiros :)

    Beijos.

    www.daimaginacaoaescrita.com

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  17. Oi querido,
    Que post bacana, hein? Eu havia guardado o link no meu Feedly pra ler em um momento oportuno e com calma.
    Eu sou meio neutro em relação a esse tema, isso porque acho que o meu gostar ou não da terceirização irá depender muito do meu gostar ou não do livro, e num aspecto mais técnico da qualidade do mesmo. Mas é um tema interessante de se discutir, principalmente por essa omissão de destaque para os co-autores. Deve ser ruim desenvolver a ideia e ser marcado com letrinhas miúdas na capa, mas ao mesmo tempo deve-se pensar que há uma concordância disso por parte dos nomes minimizados.
    Ótimos exemplos que você citou. Há outros também interessantes, como o do Clive Cussler, que possui um time de colaboradores; O próprio George R. R. Martin que leva a maior parte do crédito pelos livros da série Wild Cards, sendo que ele próprio escreve um ou dois contos de cada volume; e por fim os casos em que o nome de um autor se torna uma "marca", como é o caso de Sidney Sheldon, que mesmo falecido continua a "publicar" livros periodicamente em "parceria" com um "co-autor", rsrsrs...
    Parabéns, adorei!
    Beijos
    Cooltural

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